Como alguém que se alimenta exclusivamente de sangue pode ser tão pálido? Tudo bem que é um homem de hábitos noturnos mas, nem toda coruja é anêmica. Na qualidade de observador, sem competência científica,
acho que mesmo antagônicos, o paludismo de Drácula e o rubor de papai Noel, tem relação com algum tipo de patologia. Certamente, a falta de irrigação nos vasos periféricos provoca intenso formigamento nas pernas de Drácula, enquanto a obesidade de papai Noel, deve causar-lhe incômodas assaduras. A sociedade brasileira, a mesma que elegeu Santo Antonio para vereador da cidade de Igarassú em Pernambuco, deveria, pelo seu pioneirismo, discutir esses temas de forma vigorosa como Papai Noel e transparente como Drácula. Talvez, quem sabe, poderíamos combater com mais precisão os problemas causados pela falta de ferro ou excesso de panetone. Dessa maneira, como bons brasileiros mataríamos dois coelhos com uma caixa D’água só.
Alguém inventou o demônio e sem saber o que fazer com ele mandou-o para os cultos de matrizes
africanas. O curioso, nesta invenção, é a extraordinária capacidade de mutação que deram a essa cavernosa criatura. Por exemplo, basta você ganhar um salário de R$300,00 e gastar R$400,00 pronto; você acabou de ser possuído pelo demônio econômico. Se alguém cobiçar a mulher do próximo quando o próximo está excessivamente próximo, pronto; terá que exorcizar o bicho chifrudo. Hoje em dia o demônio tem mais espaço na mídia do que São Jorge. E por falar em São Jorge, alguém pode responder como ficou aquele entrevero dele com o Dragão? A última foto que fizeram desse combate mostra um dragão jogando sujo. Utilizando lança chamas e mordidas por baixo. De qualquer maneira, isso não é da minha conta. Até porque, como já dizia o filósofo Naelson de Quipapá, em terra de cego quem tem um olho é no mínimo defeituoso. Tô fora! Voltando ao tema central da nossa matéria, uma pesquisa
inútil, realizada pela também inútil Associação Protetora das Galinhas Lésbicas afirma que existem demônios históricos, coletivos, individuais e aqueles que você pode adquiri, sem sair de casa, pela Internet. Os capetas virtuais estão cada vez mais ligeiros e mais destruidores do que aqueles que nos atacavam via telégrafo. Recentemente, meu computador foi atacado por um desses anti-Cristo. Descarreguei a máquina com um banho de sal grosso, arruda, e um montão de coisas que um pai de santo me ensinou, mas não resolveu. Apelei para o Deus da tecnologia e uma voz grave vinda do além me respondeu: “Alberto, Alberto, veja o mundo pelo outro lado da janela. Se não existisse o Cristo não haveria o anti Cristo. Demônio é só aquilo que não pensa como você e nem faz o que você quer. DELETA!” Valeu Máster.
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O Brasil é um país tão jovem, que até suas ruínas ainda não arruinaram bem. Isto não significa que somos, culturalmente, inferiores a países como Eritréia, Lesoto, Botsuana, Djibuti, e outros localizados além do continente africano. Afinal de contas, nosso país foi ocupado em mil e quinhentos pela mais bem sucedida invasão naval que a história conheceu. Os portugueses, estratégicamente, anunciaram ao mundo que iam comprar pimenta do reino, e acabaram levando o ouro das Minas Gerais. Os índios, aqueles com sotaque baiano, sequer tiveram tempo para reagir. O elemento surpresa foi tão eficaz que os pegou de calças curtas, ou melhor, sem calças. Se o Brasil tivesse sido invadido pelos americanos, a estratégia seria diferente. Primeiro, os nativos seriam acusados de estarem produzindo farinha de mandioca atômica e pamonha química, particularmente na região Amazônica. Segundo,
fariam a democratização das aldeias porque não é admissível um povo viver integrado com a Natureza, há milênios, se um partido forte para governá-lo. Certamente, hoje estaríamos falando inglês com sotaque de Severino Cavalcante e a nossa genética seria uma mistura de Macunaíma com Madona e nossa cozinha seria a base de Hot Jegue. Porém, olhando do outro lado da janela, não temos do que reclamar. Em apenas 506 anos vencemos a gravidez, ou melhor, a gravidade e fomos ao espaço com o nosso primeiro astronauta, Marcos Pontes. Objetivo: levar o chapéu de Santos Dumont para o céu. Entregar pra quem? Ao próprio…
O Brasil é líder mundial no “ranking” celestial da devoção. Nenhum povo reza tanto e paga tanta promessa como o nosso. Esse recorde não se deve ao fato de Deus ser brasileiro ou porque nossos
sacerdotes são eficientes. Devemos esse triunfo aos nossos políticos e aos motoristas de ônibus que nos fazem rezar diariamente. Todavia, a forma como expressamos nossa devoção nem sempre condiz com a boa composição estética. É comum dar o nome de santos a pessoas sem considerar o sobrenome. O que poderia ser uma divina homenagem acaba transformando-se numa mistura de religiosidade com zoologia. Assim, temos Maria Carneiro, Pedro Pinto, João Galo, Antonio Formiga, José Pavão, Francisco Ratto, Ana Passarinho, Aparecida Falcão, sem contar os mais agressivos, como Sebastião Pedrada, Felipe Cabeçadas e os mais complexos, como os nordestinos - Maria Deusicleia (pronuncia-se Deusicreia), Ana Rosicreusa, etc. É óbvio que esse efeito fonético não diminui a nobreza da intenção. Mas se olharmos do outro lado da janela, percebemos que se a Natureza utilizasse a mesma displicência estética, o mundo seria uma aberração.

Se fizeram o que fizeram por causa de um bezerro de ouro, imagine o que não fariam com as
vaquinhas de barro do mestre Vitalino (não confundir com vitelino). E por falar em bezerro de ouro, o que fizeram com o ouro do bezerro? Talvez algum arqueólogo de plantão, que não esteja procurando o túmulo de Cleópatra, possa responder. Não quero adentrar nos méritos esportivo, religioso e artístico envolvidos nessa história. Apenas observando os fatos, do outro lado da janela, precebo que alpinismo, fé em Deus e Arte Popular, nem sempre dão “mixagem”. Em minha opinião, o boi em pé teria, nos dias de hoje, mais valor histórico no museu do Louvre do que na forma de moedinhas cobiçadas e idolatradas por ateus e religiosos de todos os tempos.