11 Nov
Baiana nascida na Áustria
icon1 O GuaracYano | icon2 Comportamento | icon4 11/11/2011|

Veja a entrevista com Ana Primavesi, agricultora com mais de 90 anos, que carrega consigo alguns fundamentos guaracyanos e da linha de baianos, mesmo sem saber.

 

Ela já passou dos 90 anos, não come açúcar há quatro décadas e bebe pouquíssima água (sempre natural), afinal “é só o que o corpo precisa”. Esses são apenas alguns dos segredos da agrônoma Ana Primavesi, que mesmo se aproximando do centenário mantém saúde e disposição para cuidar das plantações e viajar o mundo espalhando sua sabedoria e ensinamentos sobre cuidado com a terra e respeito à natureza.

Nascida na Áustria, ela se mudou com o marido para o Brasil após a Segunda Guerra e foi uma das pioneiras da agricultura ecológica no país. Hoje a Dr. Ana Primavesi é uma das profissionais mais respeitadas quando o assunto é compreender os sinais da terra e encontrar formas de aumentar a produção, sem devastar a natureza.

Com sua voz mansa e ainda carregada do sotaque austríaco, ela conversou com o EcoD e falou um pouco da sua relação com a terra e como precisamos encontrar um equilíbrio entre os interesses humanos e a manutenção da vida no planeta.

 

A senhora tem uma grande intimidade com a terra, cheira para saber se a matéria orgânica foi enterrada profundamente e sente sua textura entre as mãos como indicativo do equilíbrio de nutrientes. Qual a importância desse contato para a senhora?

 

É a base de tudo, porque se você não sabe, não sente e não vê a terra, como vai fazer agricultura?

 

A senhora defende uma agronomia que, no seu modo de ver, “não compete com as leis da natureza”. É dessa forma, competindo com a natureza, que estamos produzindo alimentos hoje?

 

Não é que compete ou não compete. O problema é que se você planta de uma maneira diferente de como o planeta faz pode ser que você colha por mais alguns anos, mas depois a terra vai estar de tal maneira estragada que não produz mais quase nada, muito pouco. Agora vieram os adubos químicos, as máquinas e tudo isso para aumentar a produção. Mas olha, no ano 1200 depois de Cristo, as pessoas produziam na Índia quatro vezes mais do que se produz hoje. Então o adubo químico não foi a salvação, foi o que estragou o solo.

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10 Oct
Meio ambiente e gestão do conhecimento
icon1 Ricardo Hida | icon2 natureza | icon4 10/10/2011|

Nunca antes na história se debateu tanto sobre meio ambiente e sustentabilidade. A sociedade consome mais do que pode, o que provoca a exploração indiscriminada dos recursos naturais. A poluição é crescente, há graves alterações climáticas, crises no fornecimento de água devido à falta de chuva e destruição dos mananciais.

A constatação clara de que o ser humano se movimenta lentamente para mudar esse cenário projeta um futuro catastrófico: o planeta será alterado de tal forma que a vida como a conhecemos deixará de existir.

Neste mais recente lançamento da editora Almedina, Meio ambiente e gestão do conhecimento, o ambientalista e especialista em tecnologia da informação Demerval Luiz Polizelli aborda os motivos da omissão de países, autoridades, empresas e pessoas em relação ao meio ambiente e, ainda, alerta para algumas alternativas a partir das tecnologias que administram e fornecem conhecimento.

Nos últimos trinta anos, foi possível acumular informações, em uma escala impressionante, sobre os problemas ambientais. Foram construídos mecanismos de análise, redes de intercâmbio de pesquisas entre universidades e fóruns internacionais de decisão com forte aparato técnico e verbas. Os resultados obtidos foram pífios, porém as consequências já se fazem sentir em diversos aspectos. Como explicar essa contradição? Se a sociedade está atualmente no século do conhecimento, possui uma série de informações sobre a maneira como trabalha, consome e desenvolve a ciência, por que ainda trata os problemas ambientais como uma “consequência inesperada”? Leia Mais »

27 Sep

O que torna o caminhar mais seguro para um grupo, além de um líder e uma filosofia em torno da qual todos se reúnem, é a sua história. Os caminhos trilhados e as experiências vividas inspiram os mais jovens a prosseguir respeitando os que antecederam , mantendo a Luz do grupo sempre viva.

E é nesse espírito que foi criado o Museu Guaracyano , no Templo Guaracy das Campinas. Mais que reunir um acervo de mais de 40 anos, o museu é um guardião dos valores sagrados de milhares de pessoas. A primeira exposição organizada pela entidade , no mês de agosto, foi muito precisa e sensível em sua curadoria. Os quatro elementos da Natureza compuseram a linha mestre do evento. O fogo se apresenta com as bênçãos dos dirigentes espirituais e a força de um menino, que vencendo uma doença grave, fez de seu caminho uma rota de libertação para tantos outros. A terra, sobre a qual foi construída uma história espiritual, se viu em fotos e documentos que atestaram que espiritualistas não vivem jejuando e rezando, mas trabalhando sem descanso. A água se apresentou na sensibilidade de um poeta e compositor que fez da música um portal de intercambio entre diferentes dimensões. E o ar, bem, o ar se mostrou na filosofia que se expande para todos os continentes sem se importar com a religião das pessoas. Houve fotos, documentos como ata constitutiva do Templo, paramentos, artigos de imprensa, plantas de engenharia e discos antigos. Cada elemento justificando e explicando a realidade atual.

Foi possível viajar por quatro décadas com muita riqueza de detalhes, sem esquecer da simplicidade que é o alicerce da casa. Um exemplo disso é que no meio de tantas informações, estava presente com uma delicadeza majestosa um fac-símile do primeiro assentamento do templo, ainda presente nos altares de todos os guaracyanos : copo d´agua com vela branca.

Lágrimas, sorrisos e reflexões. A exposição cumpriu seu papel. Lembrar a história e inspirar muitos a prosseguir sua jornada espiritual, lembrando que se o caminho não é fácil, ele é recompensador.

Em breve muitos documentos estarão disponíveis em um site para consulta pública. A exposição atual irá viajar para outros lugares e uma nova está em planejamento. Se você tiver materiais que possam manter viva essa história não deixe de procurar a Iyalorixá Flávia Castro, no email flavia@xire.org

31 Aug

Curso pretende transmitir a cultura e a língua falada por mais de 90% da população do Paraguai e por vários grupos étnicos da América do Sul

A língua Guarani pertence a família lingüística tupi-guarani, que compreende línguas faladas na América pré-colonial por povos que viviam a leste da Cordilheira dos Andes (desde o mar do Caribe até o rio da Prata). Hoje em dias, essas línguas são faladas tanto por populações integradas às sociedades de seus respectivos países como por etnias que prestavam ainda suas culturas autóctones no Paraguai, no norte da Argentina, na Bolívia e no Brasil. Leia Mais »

25 Aug
Ventando…
icon1 Ricardo Hida | icon2 Arte e Cultura | icon4 25/08/2011|

A Filosofia Guaracyana, que pode ser seguida por pessoas de qualquer religião, afirma que cantar e dançar para a Natureza é uma prece que chega facilmente ao Criador. Para nós, Deus, além de sempre cantar e dançar (sim, Ele dança sim), prefere ver seus filhos alegres e sorridentes a sofrer privações e martírios. Por isso, chegada de uma canção que exalte a grandeza dos ventos, da comunicação, da polinização e do movimento das nuvens que espalham vida é motivo de muita alegria.

Quando essa canção é acompanhada de vozes de homens que carregam em si a Luz do Orixá Xangô, que é a perfeita dualidade de Iansã, a alegria vem em dobro. E cresce exponencialmente quando tem um arranjo de um maestro conhecido pelo requinte de sua obra e imagens que mostram a Natureza com todo seu esplendor.

Assim é o novo clipe do compositor, cantor e babalorixá Carlos Buby “Canto para Iansã”.

Confira abaixo, emocione-se e…dance!

16 Aug

Acontece nos dias 12,13 e 14 de agosto no CEU Inácio Monteiro, na Zona Leste de São Paulo, o Festival Wapi Brasil 2011, atividade realizada pela Soweto Organização Negra em parceria com os coletivos e as organizações ligadas a Cultura Hip Hop.
Por meio de uma campanha publicitária o tema “Eu africanizo São Paulo” ganhou repercussão na internet com mais de 100 pessoas fotografadas entre elas: artistas, pesquisadores, mulheres, homens, jovens, crianças, negros e não-negros.

Idealizada pelo rapper Panikinho que, ao participar em 2007 do Fórum Social Mundial em Nairobi, fez contato com os organizadores do WAPI, sigla em inglês de Words and Pictures, ou seja, palavras e imagens. Em parceria com a produtora, Janaína Machado deu inicio a concepção desse projeto. Evento multilinguagem de afirmação da cultura afro-diaspórica que começou em Nairobi, no Quênia, se espalhou pela África Subsaariana, chegou a países da diáspora, como Estados Unidos e finalmente acontecerá no Brasil.

As apresentações estão divididas por espaços: WAPI Diálogos e Seminários; WAPI Vibe – Discotecagem com a divulgação destinada a músicos ligados a diversidade de gêneros musicais afro-diaspóricos; WAPI Oficinas; WAPI- Pocket Shows – apresentações de diversas linguagens artísticas; WAPI Artes Visuais e verbais; WAPI-Market – Feira cultural; WAPI – Pictures - Intervenção artística fomenta a divulgação de artistas ligados as artes visuais, focando a Arte-Graffiti e WAPI Agência Jovem - parceria com Afroeducação visa criar uma agência de notícias para realizar a cobertura jornalística do Festival.

Dias 12 (sexta-feira), das 18h às 22h; 13 e 14 (sábado e domingo), das 9h às 20h. CEU Inácio Monteiro – Rua Barão Barroso do Amazonas, s/n. Cohab Inácio Monteiro, Zona Leste. Entrada franca. (11)7459-6102/8526-1072/2203-4770/6315-6732. wapibrasil@hotmail.com. http://www.flickr.com/wapibrasil/show.

9 Aug

A Passagem Literária da Consolação traz duas novas atrações em agosto: Repertório Urbano e Monstros Mitológicos do Mundo Subterrâneo. A primeira é uma mostra fotográfica de um grupo de dança e a segunda, obras que tentam ilustrar significados simbólicos do universo mitológico. A mostra pode ser visitada gratuitamente até o dia 4 de setembro.

Repertório Urbano é uma mostra composta por 20 fotos de Fabio Pazzini. São registros do trabalho da Cia. Artesãos do Corpo que tem um repertório criado em paisagens urbanas. Já a exposição Monstros Mitológicos do Mundo Subterrâneo é composto de 13 obras, criados por 13 artistas: Ana Minozzo, André Érnica, André Simmank, Carola Trimano, Célia Saito, Conrado Zanotto, Chris Flaksbaum, Fabio Quaglio, Lorenzo Leon, Manu Maltez, Maria Renata Ferreira Antunes, Lobo e Valentina Fraiz. Cada artista fará sua composição com a criatura do mundo subterrâneo de sua escolha em dois espaços, sempre continuando o desenho do artista ao lado. O diferencial é que os artistas criarão as obras dentro da Passagem Literária. Eles podem ser vistos trabalhando, das 10h às 18h, até a próxima sexta-feira (12). Depois disso, o local receberá palestras que discutirão a mitologia com estudantes e mestres (a programação estará disponível a partir do dia 15 de agosto). Leia Mais »

26 Jul

Pouco conhecido pela maioria dos ocidentais, o Butão fica na Ásia, entre a China e a Índia e recentemente ficou conhecido como uma das nações mais felizes do mundo, segundo pesquisa da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

Entre as principais características do país estão os índices zero de fome, analfabetismo e índices de violência insignificantes. Os butaneses encantam os turistas pelo respeito e a gentileza. Cercada por montanhas, entre as atrações estão cerca de 2000 templos e monastérios, florestas e montanhas. A maioria dos visitantes procura o país por causa da sua riqueza cultural, religiosa e tradições.

Além de visitar templos e fazer caminhadas, outra atração é assistir aos festivais, que acontecem quase durante o ano todo.

Katmandu é a capital e a maior cidade do Nepal. Localiza-se no centro do país, a 1.370 metros de altitude. Com cerca de 670.000 mil habitantes, foi fundada em 723 pelos newares. A cidade antiga é característica pela grande quantidade de templos e palácios budistas e hindus, a maioria deles do século XVII. É também muito procurada por alpinistas, por ser a ponto de partida para o Monte Everest.

22 Jul
Crenças
icon1 Ricardo Hida | icon2 Espiritualidade | icon4 22/07/2011|

Saiu na revista Vida Simples, da Abril, este mês.

Você já viu um autêntico revolucionário de perto? Daqueles cujas idéias mudam sistemas, reorganizam valores e mobilizam milhares de pessoas? Sempre imaginei um revolucionário como uma criatura de discurso inflamado, brilho faiscante no olhar, imbuído de uma profunda certeza e do desejo messiânico de querer mudar o mundo. Seres de alma ígnea, vibrante, poderosa, influente. Por isso me intriga muito o olhar plácido e os gestos tranqüilos dessa senhora de 63 anos que está à minha frente. Até os 40, ela era apenas uma simples dona-de-casa do Estado americano de MInnesota. Hoje, Kay Pranis, é o nome dela, se tornou o pivô de uma revolução radical e silenciosa nas velhas estruturas judiciais americanas. E o que ela propõe é algo bem simples: a escuta atenta do outro num círculo de pessoas. Depois de um crime, por exemplo, o assassino já condenado é convidado a se reunir com a família da pessoa que ele matou. Tanto ele pode presenciar os estragos emocionais e psicológicos que provocou, e com isso trazer para a sua consciência as conseqüências dos seus atos, como terá a chance de explicar os seus motivos e assim abrir a possibilidade de aliviar a dor do coração das pessoas ligadas à vítima. Dessa maneira, um reconhece a humanidade do outro. O confronto pode ser auxiliado por um círculo de psicólogos, psiquiatras, professores, advogados, religiosos e também representantes da comunidade. O resultado dessa simples escuta mutua é radical: as chances de essa pessoa cometer um novo crime caem e inicia-se um processo de regeneração interna – e o nome desse processo proposto por Kay é mesmo justiça restaurativa. E nessa sala cor de pêssego da Associação Palas Athena, entidade que trouxe Kay Pranis para São Paulo no ano passado, ela vai me explicar diretinho como a força de uma única ideia é capaz mover mundos e influenciar pessoas. Sem precisar do ardor de um revolucionário mexicano ao tirar o sombrero e gritar “Viva Zapata!”. Leia Mais »

6 Jul
Mestres, quem são os seus?
icon1 Ricardo Hida | icon2 Espiritualidade | icon4 6/07/2011|

A Filosofia Guaracyana trata ,em três de seus princípios, dos Mestres. Mais que iluminados, Mestres são aqueles que revelam a luz contida em tudo e todos. Se as religiões se apropriam de alguns e os enxergam apenas nos filósofos e religiosos, os guaracyanos sabem que podem encontrá-los também nas artes, esportes e ciências.

Não é à toa que professores, chefes de orquestras e hábeis artesãos carregam o título. Um grande escultor ( como Rodin, que tirava a luz do mármore), um grande escritor ( como Fernando Pessoa, que revelava a luz nas palavras), um grande músico( como Luiz Gonzaga) ou um grande cientista ( como Einstein) merecem o respeito e a gratidão da humanidade pois cumprem a missão que alguns poucos desavisados acreditam que só compete à religião, religam o homem ao Criador.

É importante lembrar, no entanto, Mestres não precisam de títulos acadêmicos ou serem eruditos. O Mestre é aquele que observa a Vida, faz o melhor que sabe revelando a luz contida na simplicidade e se faz compreender de imediato. Portanto há mestres iletrados, mas cujos ensinamentos devem ser praticados.

Um Mestre não pertence a uma única religião, ele pertence a Humanidade.

Um Mestre não é necessariamente famoso. Pode ser um anônimo que consegue revelar a luz de um indivíduo, da Natureza no dia-a-dia. Daí o décimo sexto princípio guaracyano sugerir que sejamos nossos próprios Mestres. Sejamos aqueles que revelam senão e também a luz dos outros, mas aqueles que revelam sobretudo e constantemente a nossa própria Luz.

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